Revista Distribuição
Agosto 2006 - Nº163
KarneKeijo estabele regras para a entrada da terceira geração na empresa e aponta a necessidade de separar o sócio do gestor.
Fundada oficialmente em 1978, na cidade de Igarassu, região metropolitana do Recife, a história da KarneKeijo começa bem antes, com sr. Inácio Miranda, sua companheira Giselda e seus sete filhos (Inácio Jr, Sérgio, Henrique, Gerson, Otávio, Gisele e Bento), que criavam algumas vacas e vendiam o leite para uma pessoa que fazia coalhada. Certo dia este cliente deixou de comprar o leite, e d. Giselda então começou a fabricar queijo em latinhas de Nescafé.
Sr. Inácio, “o melhor vendedor que podia existir”, lembra seus herdeiros, ensinava aos filhos a melhor forma para se vender os produtos; técnicas que ainda hoje são usadas, como: vender antes para entregar depois e anotar tudo que o cliente gostava, para ajudar na próxima venda. Na década de 80, resolve abrir novas frentes com oito pontos de vendas nas saídas de Recife. Esses pontos eram caminhões parados na beira das BRs, onde se vendia carne de sol, queijo de coalho. Já em 1986, a KarneKeijo vende 140 kg de carne de sol para o refeitório industrial da Formiplac, descobrindo o potencial do mercado food service. E foi assim que começou uma história de sucesso da empresa que é hoje referência nacional em distribuição especializada em food service. No ano 2000, fundou a TRU Logística, aproveitando a experiência da complexa logística da KarneKeijo (distribuição de frigorificados com peso não padrão e fracionamento de embalagem).
Assume toda logística de congelados do Bompreço, toda operação Norte/Nordeste da Kibom, Batavo, Chocolates Nestlé, entre outras. O Grupo Karnekeijo conta com três unidades de negócio, além de um Merkadinho Escola e uma Cozinha Experimental. É composto por seis sócios: d. Giselda, Inácio Jr, Gerson, Otávio, Gisele e Bento Miranda, porém apenas quatro - Inácio Jr, Gerson, Gisele e Bento - participam da gestão. Inácio, um dos herdeiros e diretor da empresa, afirma que o assunto sucessão já entrou em pauta, “mas ainda não legalizamos nada, e já temos algumas regras bem claras.” Na KarneKeijo, filho não entra para trabalhar na empresa. “Primeiro tem que ir ao mercado e se destacando, aí sim, poderemos solicitar a sua entrada, se aprovado por todos os sócios.”
Hoje ainda essa terceira geração da KarneKeijo ainda é bem jovem, os mais velhos estão na faixa dos 23 anos. Alguns se formando e já estagiando em outras empresas. “Uma coisa eu já posso comprovar, eles correm atrás e hoje já acham esta decisão muito correta.”
A KarneKeijo conta com uma consultoria desde 99, que acompanha os temas da empresa. “Temos também uma psicóloga que acompanha a família com reuniões a cada 15 dias, para tratar do dos assuntos familiares. Tentamos separar negócios e família, mas nem sempre conseguimos”, revela Inácio.
O diretor lembra que ‘quem em sócio tem patrão, tem que dar satisfação’. “É um eterno aprendizado, já tivemos muito problemas, mas como temos bons valores sempre conseguimos superar.Hoje estamos numa fase muito boa, mais maduros e bem mais cooperativos.”
Para ele, o segredo de um futuro promissor de uma empresa familiar é ter valores fortes. “A empresa sempre em primeiro lugar, sempre. Também é preciso separar o sócio do gestor. Sócio pode ser, mas gestor só fica se der resultado”, conclui.
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